A Estrada

Posted by Felipe C. | Posted in | Posted on 19:26

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"In a moment the world changed forever."
Vocês devem estar se perguntando por que diabos esse filme está aqui já que não recebeu nenhuma indicação ao Oscar. O motivo é simples: ele deveria estar. Juntamente com "Brilho de uma Paixão" (que foi indicado apenas à categoria de Melhor Figurino, e merecia ser em, pelo menos, mais umas 3), A Estrada (The Road, EUA, 2009) foi o filme injustiçado do ano. Das premiações mais importantes foi lembrado apenas no BAFTA (O "Oscar" Britânico) na categoria de Melhor Fotografia.

Adaptado do livro homônimo, ganhador do Pulitzer de Ficção, de Cormac McCarthy, o também autor de "Onde os Fracos não tem Vez", que narra a história de um homem e seu filho que lutam para conseguir sobreviver em um mundo pós-apocalíptico, onde o caos reina e quase não é possível encontrar alguma humanidade nos seres humanos que sobreviveram ao misterioso cataclisma. Não é comentado, em momento algum, o que transformou as paisagens da Terra em cinzas. É apresentado um homem (Viggo Mortensen, que da um show de atuação) que juntamente com seu filho (o australiano Kodi Smit-McPhee que também faz um ótimo trabalho) seguem por uma estrada rumo ao sul do país para poderem sobreviver ao inverno que se aproxima. Além de terem que resistir às péssimas condições climáticas, à fome e à sede, tem que tomar um cuidado especial com os únicos predadores que sobreviveram ao cataclisma: os próprios seres humanos. Canibalismo é o que as pessoas mais temem. Uma das cenas de maior tensão envolve uma bela casa, um grupo de canibais e vários prisioneiros. A intenção principal da trama é mostrar a relação de pai e filho e consegue transmitir com sucesso tanto no filme quanto no livro.
Mortensen deveria, sem dúvida, ter sido indicado por sua brilhante performance em "A Estrada" (a dúvida fica em quem deveria sair para ele entrar). Kodi Smit também realiza um ótimo trabalho que está fazendo sua carreira deslanchar (foi escalado para a refilmagem do sueco "Deixa Ela Entrar" e mais dois filmes).E apesar de uma curtíssima aparição, Robert Duvall brilha em cena. É um filme que consegue transmitir sutileza mas também é um tanto quanto pesado. O pouco conhecido John Hillcoat fez um trabalho que poderia facilmente entrar na categoria principal do Academy Awards desse ano (em vista da indicação de filmes como "Um Sonho Possível" e "Up - Altas Aventuras", não que sejam ruins, mas "A Estrada" é superior), Viggo também poderia estar entre os 5 Melhores Atores (como já mencionei); Kodi já uma questão mais  delicada (esse ano foi o ano das interpretações infantis: o já mencionado Smit-McPhee, Max Records em "Onde Vivem os Monstros" e Saoirse Ronan em "Um Olhar do Paraíso" também estão fenomenais) que desenvolveu muito bem seu papel, mas acho que não teria muitas chances de entrar na categoria ao lado de grandes nomes que ficaram de fora (como Alfred Molina e Peter Saarsgard), talvez Robert Duvall tivesse mais chances, só que o tempo que permanceu em cena é ínfimo, mas assustadoramente comovente e brilhante. Não podemos esquecer da parte técnica do filme: uma fotografia maravilhosa de uma paisagem degradada e decadente, é tão magnífica que o cinza se torna um plano de fundo estupendo. A direção de arte é outro ponto forte da obra e a trilha sonora composta por Nick Cave e Warren Ellis é uma das mais belas do ano (acho que só perde para a de Abel Korzeniowski de Direito de Amar). Uma edição excelente e também uma ótima adaptação do livro de McCarthy. Foi realmente uma pena não termos visto "A Estrada" entre os indicados do Oscar 2010, mas não percam a chance de ver esse ótimo filme e se poderem leiam o livro também. Sensacional!


Um Olhar do Paraíso

Posted by Felipe C. | Posted in | Posted on 10:45

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"The story of a life and everything that came after..."


A maior decepção de 2009. É assim que foi definido o mais novo filme de Peter Jackson: Um Olhar do Paraíso (The Lovely Bones, 2009, EUA e Nova Zelândia). Depois do grande sucesso da "Triologia do Senhor dos Anéis", parece que há uma obrigação de que todo filme de Jackson tem que ser um espetáculo como ela foi. "King Kong" é um exemplo disso, assim como "Um Olhar do Paraíso". Era a grande aposta de Oscar 2010 (tanto é que um dos motivos para Scorcese ter mudado a data de estreia do seu "A Ilha do Medo" foi  para não ter que competir com o filme de Jackson) e acabou com apenas uma indicação: a de Melhor Ator Coadjuvante para Stanley Tucci que fez o vilão George Harvey. Sem dúvida alguma, "Um Olhar do Paraíso" foi o maior flop do ano.

"Um Olhar do Paraíso" é a adaptação do best-seller de Alice Sebold, "Uma Vida Interrompida", que fez um estrondoso sucesso nos EUA (outro motivo para a grande expectativa que se tinha acerca do filme). Na história, acompanhamos Susie Salmon (que é interpretada pela excepcional Saoirse Ronan) que foi estuprada e brutalmente assassinada pelo seu vizinho, Geroge Harvey (Stanley Tucci ,indicado ao Oscar por seu papel), e assiste o dia-a-dia da sua família, amigos e do próprio assassino lá no seu céu. Sem poder interferir ela sofre ao ver sua família desintegrar após o seu assassinato; se alegra com os momentos felizes também. Porém ela não conesegue esquecer aquele vil homem que a matou, deseja vingança o que faz com que a menina não desapegue totalmente da sua vida terrena, logo ela tem dificuldades para partir para um "céu definitivo", terá que deixar os vivos para trá e assim libertar a sua alma.

"Um Olhar do Paraíso" não é um filme ruim, não achei superficial como muitos tem falado, só não é tudo aquilo que esperavam: um épico que se comparasse ao Senhor dos Anéis e seria o papa-Oscar do ano. Tem seus pontos fortes (as atuações de Saoirse Ronan, Stanley Tucci e Susan Sarandon, a criação do céu de Susie e a fantástica direção de arte do filme) e os fracos (algumas partes mal-trabalhados do roteiro, personagens pouco explorados), mas no geral é uma boa película que consegue passar o espírito do livro.

Algum tempo atrás, li uma crítica que compara "Um Olhar no Paraíso" com "As Bruxas de Salém": um filme que era a cara do Oscar, que prometia diversas nomeações, um elenco de peso e um roteiro que prometia, mas que acabou flopando devido à má recepção que ambos os filme tiveram tanto do público como da crítica. O 1º saiu com uma indicação, o 2º com duas (Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Atriz Coadjuvante para Joan Allen). Se analisarmos, iremos perceber que são ótimos filmes que cairam na infelicidade de serem mal avaliados. Infelizmente....

Li, também, comentários de várias pessoas comparando "Um Olhar do Paraíso" à "Amor além da Vida". É claro que existem semelhanças, mas são filmes bastante diferentes. A coisa em comum mais perceptível é o paraíso. Em ambos, o céu é criado de uma forma espatcular recheado de efeitos especias que te deixam deslumbrado. Fora isso e a crise familiar, as histórias tomam rumos totalmente distintos.

 Dê uma conferida nessa bela película de Peter Jackson e tire suas próprias conclusões. É o tipo de filme "Ame ou Odeie", espero que amem
XD

Postagens "Oscar 2010"

Posted by Felipe C. | Posted in | Posted on 15:29

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Bem pessoal, vou, a partir de hoje, começar a fazer postagens de filmes mais voltados para o Oscar 2010. Portanto nesse final de janeiro e durante o mês de fevereiro, vou procurar escrever sobre as películas voltadas para a maior premiação do cinema. Fortes concorrentes, filmes flopados, os esquecidos, injustiçados, os melhores do ano e etc. Quando escrever sobre os que se enquadrem nesse perfil, vou colocar esse selo:



Vou dar uma ênfase a tais películas, mas não vou esquecer as demais. Portanto... aguardem os próximos posts!

XD

Sherlock Holmes

Posted by Felipe C. | Posted in | Posted on 08:56

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"Crime Will Pay"

 Semana passada tive a oportunidade de conferir o mais novo filme de Guy Ritchie e uma adaptação um tanto ousada do best-seller e clássica série de livros de Sir. Arthur Conan Doyle: Sherlock Holmes (Idem, 2009, Inglaterra). E o resultado foi ótimo!

Ritchie não fez seu filme baseado propriamente nos livros de Doyle, ele bebeu de uma outra fonte: as HQs de Lionel Wigram que eliminam algumas frescuras vitorianas bastante presentes nos escritos de Doyle e enfoca mais na ação e outras atividades (como o boxe) praticadas pelo detetive. Mas tudo isso, é claro, sem descaracterizar o personagem.

Na trama, Lord Blackwood (Mark Strong) é capturado por Sherlock Holmes (Robert Downey Jr.) e Dr. John Watson (Jude Law) juntamente com a Scotland Yard e é condenado à forca pela prática de magia negra e pelo assassinato de 4 jovens e tentativa de matar uma 5ª. Até aí, tudo bem, o problema reside no fato de que alguns dias depois da morte do vilão, ele levanta da cripta para dar continuidade ao seu diabólico plano: retomar aquela que um dia foi uma colônia inglesa no continente americano e apartir de então [mode Cérebro on] tentar conquistar o mundo [/mode Cérebro off]. Parece um plano meio clichê, mas nada no mundo de Sherlock é tão óbvio assim. Bom, vou parar a sinopse por aqui pois senão vou acabar falando demais e estragar a festa de quem ainda não viu o filme.


Outras personagens também estão presentes, como a golpista Irene Adler (a belíssima Rachel McAdams) que nutre uma paixão por Holmes (a recíproca também é verdadeira), a noiva de Watson, Mary Morstan (Kelly Reilly) que protagoniza uma das cenas mais engraçadas do filme, ao ser "dissecada" pelo estudo de Holmes e os investigadores da Scotland Yard também estão presentes.

Robert Downey Jr. sem dúvida alguma é o maior destaque do filme. Ele consegue fazer uma mistura perfeita entre Holmes clássico e contemporâneo, o de Doyle e o de Wigram. Faz ótima dosagem de comédia, seriadade, sagacidade. Uma grande escolha para reviver esse tão grande e cultuado personagem da literatura mundial. Sua atuação é tão convincente que lhe rendeu o Globo de Ouro de Melhor Ator (Comédia/Musical).


Outra coisa que me chamou bastante atenção no filme foi a ousada e diferente trilha sonora composta por Hans Zimmer, é bem original e tem uns toques, que apesar de serem um tanto exóticos, combinam muito com as cenas a quais são encaixadas. Cada faixa é totalmente diferente uma da outra, apresentado uma mistura de vários sons de um grande número de instrumentos musicais diferentes, indo do batucar de latas ao afinar de um violino.

"Sherlock Holmes" é um filme típico de Guy Ritchie (vide "RocknRolla", "Snatch" e "Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumengantes"), com diálogos rápidos, recheado de ação e com pitadas de humor. O primeiro episódio já foi feito com a intenção de ter uma continuação (com o aval da Warner as filmagens devem começar em junho desse ano) e os fãs devem se preparar pois o Professor Moriarty está chegando.

Se você está em dúvida para dar uma checada nesse ótimo blockbuster, está ainda sentado aí por que? Até mesmo os fãs mais ávidos do detetive (excluindo os chatos) irão aprovar o filme (pode não ser com uma nota máxima, mas não vão sair da sala de cinema com a impressão de ver seu heroi completamente descaracterizado, destruído). Apesar de alguma características já mencionadas, é um filme inteligente que não deixa pontas soltas. Não se preocupe, você não terminará de ve-lo sem respostas plausíveis, pois tudo é elementar.




Avatar

Posted by Felipe C. | Posted in | Posted on 19:22

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"You are not in Kansas anymore. You are on Pandora."

Quase um mês sem postar nada, mas agora estou de volta!


Avatar (Idem, 2009, EUA) foi o 1º filme que vi na pré-estreia e também foi o 1º que vi em 3D. Estava há muito à espera dele e apesar de alguns falando que seria uma decepção, um fracasso total, nunca deixei de acreditar no seu potencial. Na quinta-feira, 17 de dezembro de 2009, tive certeza que o tempo de espera valeu (e como!).

Como muitos devem saber, a história de Avatar se passa numa lua do planeta Poliphemus chamada Pandora. Ela consegue suportar vida, dentre elas uma raça humanóide chamada Na'vi, porém o ar de lá é tóxico para humanos, quando não estão trabalhando nas bases precisam usar um tipo de máscara para não por em risco suas vidas. É um mundo repleto de uma fauna e flora da mais estonteante beleza (o seu design foi inspirado nas criaturas marinhas que vivem nas zonas abissais dos grandes oceanos, principalmente os seres noturnos de Pandora). A trama se passa no século XXII e os terráqueos possuem alto conhecimento de grande parte da vida dessa lua e da cultura dos Na'vi.
Os humanos que lá estão podem ser, basicamente, subdivididos em mercenários e cientistas. Estes estão envolvidos no projeto Avatar que consiste na transferência da mente de um humano para o corpo de um Na'vi que foi genéticamente criado baseado no DNA do humano que irá "operá-lo" e no DNA básico dos humanóides de Pandora. A intenção desse projeto é aumentar o conhecimento da vida que cerca esse novo mundo em especial a dos Na'vi, uma vez que é praticamente impossível interagir com eles na forma humana, pois possuem cerca de 3m de altura e são BEM ariscos, o projeto Avatar caiu como uma luva.
Já os mercenários fazem aquilo que fazem melhor: saquear, extorquir, destruir, chantagear. Estão lá atrás de uma pedra cinza, o unobtainium, que pode ser vendida à 20 milhões de dólares o quilo. O problema é que o maior depósito dessa preciosidade está localizado em baixo da principal vila dos nativos.
Uma instabilidade entre os dois lados começa a se formar, os cientistas querem proteger a todo custo a vida de Pandora, mas os mercenários querem ver tudo vir abaixo para conseguir aquilo que lhes é precioso. É então que surge o ex-fuzileiro naval Jake Sully (Sam Warthington), é um veterano de guerra e também paraplégico. Apesar de ser um militar, o que faria com que fosse incluído no grupo dos mercenários, ele possui um Avatar. O motivo? Jake tinha um irmão gêmeo que fazia parte do projeto, mas foi morto um pouco antes de embarcar na nave que o levaria para Pandora. Para não disperdiçar o dinheiro gasto com a criação do Avatar, Jake foi conovocado para substituir o irmão. Um fuzileiro no corpo de um Na'vi, uma combinação perfeita entre cientistas e mercenários, algo que poderia conciliar ambos.
O problema surge quando Jake começa a se relacionar mais seriamente com os Na'vi, ao se tornar um deles e ao se apaixonar pela sua tutora e filha do chefe do clã, Neytiri.

O roteiro de Avatar é basicamente esse, não que seja ruim, mas é o ponto mais fraco do filme. É onde os haters caem matando, mas eu quero que todos eles se explodam. =D


 Nem preciso comentar sobre os efeitos do filme, né? São espetaculares, inclusive, atrevo a concordar com o revolucionário que Cameron prometeu para seus fãs. No quesito 3D é algo revolucionário sim. Apesar de nunca ter visto outro filme nesse formato, a técnica que é utilizada em Avatar permite ao telespectador mergulhar no mundo criado por Cameron, te desperta os sentidos, você tem uma outra perspectiva diante de tudo que nos é apresentado. É realmente algo indescritível. De outro mundo.
Os 40 minutos finais têm cenas de ação jamais antes criadas, são tão espetaculares que até o mais cético dos haters dá o braço a torcer.



Já devem ter lido também algo sobre as tecnologias que James Cameron criou especialmente para o filme. São câmeras e técinas que deslocam o queixo de qualquer diretor. Vários anos de preparo que deram resultado à um ótimo e imperdível produto final. Com ótimas atuações, um enredo que prende fácil o espectador (pode não ser um dos melhores, mas também não é nem um pouco medíocre) e, como já foi dito, efeitos que destrói o visual de qualquer Transformers ou 2012 da vida.
É a fórmula perfeita que todo e qualquer blockbuster almeja, tanto é que com menos de um mês em cartaz o filme já acumulou mais de 1 bilhão de dólares no mundo todo. Será que bate o recorde de Titanic?


Tomara!!



À Deriva

Posted by Felipe C. | Posted in | Posted on 15:23

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"A grandeza não é onde permanecemos, mas em qual direção estamos nos movendo. Devemos navegar algumas vezes com o vento e outras vezes contra ele, mas devemos navegar, e não ficar à deriva, e nem ancorados." Oliver Wendall Holmes

Amadurecer. Todo ser humano passa pelo período do amadurecimento, saindo da infância e passando pela turbulenta adolescência, cheia de incertezas, descobertas, paixões, decepções, alegrias e tristezas. Acabamos por nos tornar seres instáveis e imprevisíveis. É exatamente nesse momento que encontramos a protagonista de "À Deriva" (Brasil, 2009), com 14 anos Filipa (a novata Laura Neiva que dá um show impressionante de interpretação) não é mais uma criança, porém encontra-se à vários passos da vida adulta. Aparentemente, a flor desabrocha em um ambiente familiar e agradável, mas aparências não refletem a realidade. Uma família de classe média alta; Mathias (Vincent Cassel) é um famoso escritor francês radicado no Brasil, vive em São Paulo com a mulher, Clarice (a fabulosa Débora Bloch), e os três filhos: Filipa, Fernanda e Antônio. É final de ano e para espairecer um pouco, a família vai passar as férias na casa de praia na cidade de Búzios, RJ. Os dias que marcam, marcam como ferro quente na pele do gado, arde e demora à passar. Esse é o retrato que se forma daquela família durante as férias de verão de algum ano da década de 1980.

Filipa está mergulhando nesse seu "novo mundo", descobrindo à si mesma e é então que começam suas experiências amorosas. Artur (Daniel Passi) é o seu primeiro amor, juntos passam por alegrias e tristezas, brigam, mas logo se reconciliam. Só que este momento especial pelo qual Filipa está passando é posto em cheque ao descobrir um segredo que seu pai guarda à 7 chaves: ele possui uma amante. Seu nome é Angela (a belíssima Camilla Belle), uma linda e sedutora americana que mora nas redondezas. Ela passa a acompanhar, às escondidas, os encontros entre seu pai e aquela misteriosa moça, que de um modo estranho exerce um tipo de atração na garota, presenciando desde simples beijos até os atos sexuais.

Dentro do lar, a família desmorona. Clarice sempre a tratar Mathias rudemente e à farpadas, com a língua carregada de sarcasmo. Este por sua vez, está cada vez mais desatento em relação à esposa e filhos, com a cabeça voltada para seus romances ou em Angela. A mãe, como uma forma de amenizar sua depressão latente, usa o álcool como válvula de escape da situação desesperadora na qual se encontra: casamento em crise, uma vida amargurada e tendo que suportar a pressão da decadência moral e psicológica.

No despertar da adolescência, além de ter que lidar com os problemas característicos dessa fase, Filipa sofre com o desmoronamento da sua família, daquilo que lhe é mais precioso, daquilo que deveria amparar, daquilo que acabou por prostituir a sua própria vida deixando-a à deriva.

Heitor Dahlia ("O Cheiro do Ralo" e "Nina") nos apresenta seu 3º longa metragem. O gênero do filme é totalmente diferente dos seus trabalhos anteriores, mas mesmo assim não perde a sua essência. Ele consegue capturar a sutileza e toda a beleza que o ambiente praieiro oferece. Belas paisagens, a infinidade do céu a enamorar-se com o mar, e também a beleza do próprio elenco. Destaque especial para Laura, que é focada tanto do ponto de vista infantil quanto do juvenil. Ao mesmo tempo que é mostrada a sua inocência, a sua sensualidade também é passada para a tela. No geral, a fotografia do filme é um dos seus pontos mais fortes, belo cenário, belo elenco e um diretor de fotografia (Ricardo Della Rosa) que inegavelmente carrega um talento nato.

Outras coisas que se destacam na produção são o elenco e a trilha sonora. Esta é composta por Antônio Pinto (conhecido também pela trilha de Cidade de Deus, O Senhor das Armas, Central do Brasil, Abril Despedaçado dentre outros) que utiliza de poucos instrumentos para não tornar o clima denso da película ainda mais denso. Maravilhosas melodias compostas com sons de piano, violino e violoncelo, basicamente. Que contribuem ainda mais para a beleza estonteante do filme. A música central continua fixa em minha mente, é impossóvel esquecê-la tão cedo.
Quanto ao elenco, bem... outro ponto positivo para Laura Neiva. Descoberta pela produtora do filme através do orkut, Heitor soube que ela deveria fazer Filipa no instante em que olhou para a garota. E assim como a protagonista, a atriz entrou no estúdio como uma menina e saiu uma mulher. Ela interpreta como uma profissional, na densa atmosfera em que se situa o filme ela transmite perfeitamente, quando necessário, a pureza da criança e o sensualismo da mulher. Vincent Cassel também é outro ponto alto do filme. Francês, mas sempre quando pode passa as férias no Brasil. Imortalizado por papéis de vilão em filmes como "Irreversível" e "O Ódio", em "À Deriva" ele, de certo modo, se redime ao encorporar um pai de família. Uma interpretação bem feita e muito natural. Débora Bloch também se sai muito bem ao criar Clarice, uma mulher que encontra a própria destruição nas bebidas, na melancolia e na depressão ao desistir de levar aquela vida que há não muito tempo, considerava feliz. É uma personagem complexa que apesar de não ter tanto tempo em cena é de extrema necessidade para o desenrolar da trama e Débora consegue transmitir toda a angústia e a miséria interior que degradam Clarice. Camilla Belle é apresentada com uma beleza impecável, um charme irresistível e aquele olhar, aquele vestir um tanto quanto misterioso e exótico, linda!

Fica aí a dica para quem está afim de ver algo do Cinema Nacional (ou quem está querendo ver um ótimo porém diferente filme), "À Deriva" é um dos melhores, se não for o melhor nacional do ano. Uma pena não ter se inscrito para representar o Brasil no Oscar (o mesmo fato, infelizmente, ocorreu no ano passado com "Linha de Passe"). Segue o trailer:


Uma Prova de Amor

Posted by Felipe C. | Posted in | Posted on 14:08

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"Até que ponto você iria para salvar sua família?"

Imagine que você foi concebido para um fim específico, não foi um "acidente" como a maioria dos bebês, onde depois de uma noite regada à álcool, os pais esqueceram do preservativo ou a tabelinha acabou não dando certo, enfim vários motivos que levariam à uma fecundação totalmente inesperada. Anna Fitzgerald (a fabulosa Abigail Breslin) foi uma dessas crianças concebidas para um fim específico, no caso dela, salvar a vida de sua irmã Kate (Sofia Vassilieva, mais conhecida como Eloise, aquela mesmo da Sessão da Tarde, que não perde seu brilho mesmo estando ao lado de Abigail) que é portadora de leucemia e precisa de um doador de órgão urgentemente.

É assim que se inicia o filme, sendo narrado por Anna contando sobre sua tão peculiar situação. E logo no começo nos surpreende com uma decisão: Anna entra na justiça contra seus pais com um pedido de emancipação médica, ela decide que não quer fazer a doação do órgão (rim) que a irmã precisa.

Pode parecer uma situação revoltante para grande parte dos espectadores, se Anna ama verdairamente sua irmã por que ela não doaria seu rim? Ela prefere ver a irmã morrer a ter que fazer a doação? Quais são os pensamentos que passariam pela cabeça de Kate que sofre nas mãos de uma doença tão maléfica e ver a própria irmã se recusar a fazer a doação?

Agora, coloque-se no lugar de Anna, saber que você nasceu só para salvar uma pessoa, foi internada inúmeras vezes afim de realizar exames que não seriam necessários se não houvesse o câncer, ver a atenção de seus pais quase todas direcionadas para sua irmã enferma, ver alguns sonhos, que a maioria das meninas têm, se esvairem pois não poderia realizá-los se tivesse apenas um rim. Isso tudo sem Anna ter passado pela adolescência ainda (:P).

A história, basicamente, gira ao redor desse fato. Inicia-se a partir do momento em que os rins de Kate param de funcionar e a garota é internada no hospital. Ocorre intercalações entre o presente e o passado, mostrando desde a infância de Kate, quando descobrem sobre o câncer, a decisão sobre a concepção de Anna, problemas familiares (o irmão mais velho das meninas, Jesse (Evan Ellingson), sofre de défict de aprendizagem e é alguns dos problemas que são postos em segundo plano devido à enfermidade de Kate). Mostra também as dificuldades enfrentadas por esta, não se conformando com sua doença, com um turbilhão de emoções que se passam em seu coração e até com a paixão (cenas de grande beleza, com uma ótima atuação de Thomas Dekker). Acompanhamos também a jornada de Anna com seu advogado Campbell Alexander (Alec Baldwin), que ganha 91% dos seus casos, inclusive, saiu vitorioso num processo contra Deus (Oó), e seus pais que são representados por Sara Fitzgerald (Cameron Diaz), a mãe, que também é advogada.

Uma Prova de Amor (My Sister's Keeper, EUA, 2009) é um filme que carrega uma bela lição e não é apenas uma película que só tem como finalidade provocar um xororô. Uma história de amor, um amor familiar que ultrapassa qualquer barreira para que se possa alcançar a felicidade. Um filme contado por um alguém que sabe conduzir uma história, Nick Cassavetes (Diário de uma Paixão) que toca no coração de quem assiste.

Trailer:


Zumbilândia

Posted by Felipe C. | Posted in | Posted on 14:28

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"This place is so dead!"

Há tempos não assisto um filme de zumbis tão interessante e.... ENGRAÇADO. Zumbilândia (Zombieland, 2009, EUA) é o que podemos chamar de "reposta americana" ao divertidíssimo inglês "Todo Mundo Quase Morto". É um misto de terror com comédia, algo que podemos chamar de terrir, mas a segunda está mais presente do que a primeira e essa é a "graça" do filme.

Estrelado por Jesse Eisenberg, Woody Harrelson, Emma Stone e Abigail Breslin (o resto do elenco é, basicamente, composto por zumbis) e dirigido esplendorosamente pelo novato Ruben Fleischer. Somos, inicialmente, introduzidos àquele clicherioso universo zumbi: O mundo foi contaminado por um vírus desconhecido fazendo com que grande parte da população acabasse por se tornar um daqueles montros patéticos, e os que não se transformaram, foram comidos.
Um dos poucos sobreviventes, Columbus (o engraçadíssimo Jesse Eisenberg) conseguiu escapar da morte graças às 31 regras que compôs para evitar que os zubis o pegassem. Columbus é o verdadeiro geek com tendências nerds: viciado em computador, não tem uma vida social, nunca saiu com uma garota, cheio de fobias e disturbios, morre de medo de palhaços e pra piorar um pouco a situação, seus pais também têm grande problemas sociais. Ele vaga só, de cidade em cidade, fugindo das criaturas e lutando para se manter vivo e para isso segue, religiosamente, suas 31 regras.
Depois de tanto tempo sem ver uma pessoa normal (ele, do fundo da sua alma, gostaria de ser alguém social mas, infelizmente, não consegue achar ninguém) resolve ir para uma cidade chamada Colombus (sim, é o mesmo nome do personagem. Na verdade nenhum dos personagens é apresentado pelo seu nome verdadeiro, mas sim por nome de cidades) quando encontra o valentão Tallahassee (vivido pelo hilário Woody Harrelson) que está rumando nada mais nada menos que para, advinhe onde....?, SIM, ele está indo para capital da Flórida, Tallahassee.
No começo, o valentão não gosta muito de sua companhia peculiar, mas logo eles se tornam bastante íntimos, uma vez que, é melhor a estar acompanhado de humanos do que de zumbis. Então eles seguem o caminho fugindo e matando zumbis, o passatempo favorito de Talahassee (que não deixou de ser um "Assassino por Natureza"). Tudo vai de vento em poupa até encontrarem as irmãs Wichita (a gatíssima Emma Stone) e Little Rock (a super-talentosa Abgail Breslin) e vou parar por aqui para não estragar (mais ainda) a história.

O que tenho para dizer é que esse filme é espetacularmente espetacular. Com excelentes atuações e um humor nem um pouco forçada e bastante natural. Se procura um terror, talvez você se decepcione, mas nunca terá tantos motivos para rir. Ultimamente, nessa área, até o mestre George Romero tem feito uns filmes meio brochantes. Esse veio para resgatar o gênero e um sério candidato à filme cult. Outra coisa super maneira do filme é a ponta que o Bill Murray faz, sempre muito engraçado nem que seja por menos de 5 minutos na tela. Portanto pessoal, se tiverem oportunidade de assistir essa ótima obra-prima, agarre com todas as forças, pois nunca se sabe quando o nosso mundo será tomado pelos zumbis.

Trailer fodão:

Dogville

Posted by Felipe C. | Posted in | Posted on 09:23

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Meu primeiro post não-informativo do Linguagem Cultural será sobre uma das melhores (se não A MELHOR) atuação de Nicole Kidman que se da no explendoroso Dogville (Idem, 2003, Suécia e EUA) o primeiro filme de uma triologia ("USA - Land of Opportunities" ou no bom português "EUA - Terra das Oportunidades" ) o segundo é Manderlay (2005) e o terceiro, Washington que ainda não saiu do papel.

A história gira em torno de Grace Margaret Mulligan (Nicole), uma jovem moça que ao aparecer em Dogville fugindo de perigosos gagsters que querem a sua cabeça, acaba com tudo de pacato e rotineiro que havia no minúsculo vilarejo.

Dogville é um pequeno povoado localizado no fim de uma estrada que leva atá As Montanhas Rochosas nos EUA. Sua população é composta por um pouco mais do que vinte pessoas (21 para ser mais exato) e não vivem uma vida luxuosa e confortável. Conseguem se manter com a venda de produtos primários que é frequentemente levado para cidade pelo fretista Ben (Zeljko Ivanek) (o único na cidade a possuir um carro). Thomas Edison Jr. (Paul Bettany) um dos moradores do lugar e, juntamente com Grace, personagem principal da trama, é um escritor e durante uma certa noite se depara com uma bela e misteriosa moça que chega ao vilarejo, afobada e transpirando pânico. Ela foge de perigosos gangsters e ao chegar em Dogville encontra-se encurralada e sem saída, uma vez que além de Dogville encontram-se as intransponíveis Montanhas Rochosas. Não pode voltar, pois os malvadões estão na sua cola. A única opção que lhe resta é confiar naquele estranho que vaga pelo vilarejo. Tom concorda em ajuda-la, acobertando-a enquanto ela se esconde nas minas da cidade. No dia seguinte todos os moradores de Dogville se reunem na paróquia para decidir sobre a permanência ou não de Grace no vilarejo. Apesar de desconfiados e após um discurço do apaixonado Tom, os moradores decidem pela sua permanência, mas em troca ela terá que prestar favores braçais para a comunidade.

Nos primeiros dias de Grace os habitantes alegam que não necessitam de sua ajuda, uma vez que era uma comunidade auto-suficiente e indepediam de qualquer trabalho braçal vindo de terceiros. Com o passar das semanas, a perseguição à senhorita Mulligan se intensifica. Policias aparecem com mais frequencia e oferecem uma agradável quantia de dinheiro a quem delatar a localização da foragida. De uma perseguição de gangsters à uma foragida da lei ,é assim que fica a situação da pobre moça. Isso faz com que o vilarejo ponha em pauta a sua permanência em Dogville. É então que Grace começa a passar por situações inumanas para garantir a sua proteção.

"Dogville" é relatada em 10 partes, um prólogo e 9 capítulos. Lars von Trier consegue fazer desse filme, de quase 3 horas, algo estupendo. Uma crítica claramente perceptível à hipocrisia humana, em especial à da Terra do Tio Sam. O nome é outro grande trunfo do filme, Vila dos Cães, pois ao se alimentarem da fragilidade e submissão forçada à qual Grace é submetida, os vilões (pessoas que vivem em vilas, ou não...) agem como cachorros primitivos, movidos pelos seus impulsos animalescos, sem um pingo de humanidade, dó ou compaixão. O próprio Tom acabaria por se mostrar um grande covarde. Nem as crianças livram-se da acusação, usam várias artimanhas para subornar e submeter a pobre Grace. Trier consegue, de modo explendoroso, corromper todas as almas em cena, sem excessão.

Uma coisa que, desde a abertura da película, chama a atenção é o cenário, ou melhor, a falta de um. Em cena, observamos apenas as personagens, e alguns parcos móveis espalhados. O que define cada locação são alguns quadriláteros rabiscados no chão, delimitando, então, os imóveis. Há a presença de arbustos e atalhos, mas todos, igualmente desenhados no chão. Foi influenciado por um movimento cinematográfico chamado Dogma 95 que teve como um de seus precursores o próprio Lars von Trier e que defende o não uso de qualquer tipo de tecnologia na produção de um filme (com excessão à edição e uso de câmeras, mas mesmo estes possuem fortes restrições). Só não integra totalmente o movimento por fazer uso da iluminação artificial e algumas peças do cenário que eram proibidos pelo Dogma 95.

O filme foi gravado num estúdio da Suécia e tem uma forte presença teatral na sua composição.


Nicole Kidman nos da uma EXCEPCIONAL performance. É algo equiparável a sua atuação em "As Horas" onde nos assombrou com uma sombria (enfase ao sombria) Virginia Woolf. A sua indiferença aos maltratos sofridos, levando o controle de suas emoções ao extremo é uma coisa de louco. O espectador fica abismado com as atrocidades cometidas contra Grace, mas Nicole mostra um controle absoluto. Até quando chega ao ponto de não aguentar mais e deixar que suas lágrimas lavarem aquele rosto sofrido sua atuação é impecável. No final vemos uma troca de personalidade instigante e apavorante. Ok, ok, chega de spoilers.

Em 2003 "Dogville" concorreu à Palma de Ouro no Festival de Cannes, mas acabou perdendo para o não menos ótimo "Elefante" de Gus Van Sant. É fato que o filme foi esnobado por várias premiações americanas (inclusive pela Academia) já que, pelo menos, Nicole e Paul Bettany mereciam indicações, sem contar o roteiro explendoroso que nos foi apresentado. Vale a pena (e como vale) dar uma espiada nesse filme, algo que não irá te decepcionar, é o grandioso e ousado final preparado por Trier. Um filme que chocou os americanos por criticar a sua tão perfeita sociedade é digno de ser visto. Você pode estar vivendo numa Dogville nesse momento.

Trailer para dar uma saborzinho à mais.



Troca de Blog

Posted by Felipe C. | Posted in | Posted on 08:29

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Pessoal, aos que seguiam o talktomeabout devem ter percebido que o blog estava falido. Berê, Fefa, Hell e Slip estavam bastante ocupados (eu também) e faziam séculos que ninguém postava nada lá. Resolvi então criar o Linguagem Cultural. A proposta é a mesma, falar sobre filmes, séries, livros, animes e outras coisas que eu ver e, se vier ao caso, fazer uma postagem aqui. Abaixo estão alguns posts que eu fiz no talktomeabout que eu considero menos piores. Espero que as meninas e o Slip não fiquem bravos comigo e que gostem do meu novo blog (o layout não ficou lá essas coisa, até porque nunca mexi com Photoshop e relativos). Bem, espero que gostem.

=D