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Bravura Indômita

Posted by Felipe C. | Posted in , , , , , , | Posted on 11:06

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"There is nothing free in this world... except the grace of God."

Os Irmãos Coen são uns dos queridinhos da Academia, apesar de seus filmes não serem nada convencionais, pois costumeiramente têm uma pitada (em alguns casos uma quantidade BEM maior) de cinismo, ironia e humor negro.
Desde que ganharam o Oscar de Melhor Filme por "Onde os Fracos não têm Vez", todas as suas películas têm sido amplamente elogiadas, mesmo não sendo essa "Coca-Cola" toda, como foi o caso de "Queime Depois de Ler".
"Bravura Indômita" (True Grit, 2010, EUA) o mais novo filme da dupla, não se encaixa nas típicas películas ácidas dos irmãos, apesar de manter algumas das características de suas obras, como, por exemplo, a cadência lenta da sucessão de acontecimentos durante a trama, contudo não deixa de ser um excelente filme, nem de receber os elogios do público e crítica. Com 10 indicações ao Oscar (apesar de ter saído com as mãos vazias), esse, de fato, merece todo o burburinho que tem sido feito em sua homenagem. O melhor de Joel e Ethan Coen desde "Onde os Fracos não têm Vez"
Uma refilmagem do clássico homônimo de 1969 que rendeu a John Wayne o Oscar de Melhor Ator, que ao contrário deste, tem sua trama mais centrada na garota. Mattie Ross (Hailee Steinfeld) tem 14 anos e acabou de perder o pai pelas mãos de um pistoleiro chamado Tom Chaney (Josh Brolin). Tudo o que ela mais quer é vingança. Para ter seu desejo atendido, contrata um tipo de xerife local, o anti-herói beberrão e preguiçoso Reuben J. "Rooster" Cogburn (Jeff Bridges), (viu nele uma bravura indômita), para poder perseguir Chaney e por um fim na sua vida. Porém não é só Mattie que está atrás do fora-da-lei, o patrulheiro texano LaBoeuf (Matt Damon), tem seus próprios motivos para querer a cabeça de Chaney.
O trio, então, parte para o território indígena do estado do Arkansas, local para onde o pistoleiro, junto com outros membros de sua gangue, havia fugido. Nessa viagem irão acontecer eventos que mudarão para sempre a vida de nossos protagonistas.
Um ótimo filme graças ao talento dos Coen, mas especialmente pelas atuações de Hailee Steinfeld e Jeff Bridges. A menina é uma coisa inexplicável, as cenas de negociações são INCRÍVEIS, nunca vi nada parecido vindo de uma garota com tão pouca idade (nem nos casos de Abigail Breslin em "Pequena Miss Sunshine", ou Saoirse Ronan em "Desejo e Reparação", ou até mesmo Anna Paquin em "O Piano"). Só não acho que deveria receber o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante pelo simples fato de não ser a coadjuvante da estória, Mattie é, sem dúvida alguma, a protagonista do filme, ela que conduz toda a trama e é nela que são focados os seus desenrolares.
Bridges está soberbo, logo no primeiro encontro com Steinfeld já consegue desmistificar a imagem convencional de um herói (que tipo herói tem uma conversa teoricamente importante enquanto está usando a latrina?) e, apesar de pouco aparecer, Matt Damon entrega uma ótima atuação. A fotografia de Roger Deakins é de encher os olhos, dando bastante espaço para que a paisagem local se destaque, mas sem cometer exageros. O figurino muito bem alocado, de Mary Zophres, conjuntamente com a direção de arte de Jess Gonchor e Nance Haigh, são os responsáveis pela convincente recriação do velho oeste americano do final do século XIX.
Um ponto que ficou a desejar foi a trilha sonora do filme. Composta por Carter Burwell (um dos responsáveis pela magnífica trilha de "Onde Vivem os Monstros"), é muito interessante se analisada à parte do filme, porém, durante a película as músicas pareciam ligeiramente deslocadas. Fico imaginando com seria se a trilha fosse composta por Ennio Morricone...
Os Coen entregam uma nova releitura da obra de Charles Portis, algo bem diferente do que foi visto no filme de Hathaway, algo inovador, principalmente para uma película de uma das duplas mais "alternativas" do cinema hollywoodiano. Volto a ressaltar as atuações e toda a parte artística e visual do filme, que são, de fato, de tirar o fôlego.
Apesar da falta de ação, por se tratar de western, o filme consegue ser um dos melhores do gênero, colocando-se, juntamente com "Os Indomáveis", como um dos melhores remakes de faroeste (ou até mesmo  apenas "melhores remakes") dos últimos anos. De fato, vale a pena!



Cisne Negro

Posted by Felipe C. | Posted in , , , | Posted on 08:47

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"I just want to be perfect."

Pessoal, estou de volta! Estive viajando algumas semanas atrás e, para completar, meu computador quebrou. Agora que já tá tudo arrumado, vamos que vamos.

O mais novo filme de Darren Arronofsky, Cisne Negro (Black Swan, EUA, 2010),  indicado a 05 Oscar, que tem arrancando aplausos calorosos e conquistado plateias ao longo do mundo, e que, no domingo retrasado (16), rendeu a Natalie Portman o Globo de Ouro de Melhor Atriz (Drama), uma das categorias mais ovacionadas da cerimônia, pode ser considerada a mais nova obra-prima de Hollywood. A história se passa no mundo do balé contemporâneo em Nova Iorque, onde uma companhia de dança se prepara para a apresentação de uma das obra-primas de Tchaikovsky: O Lago dos Cisnes. Foi anunciado que uma das bailarinas veteranas, Beth Macintyre (Winona Ryder), iria se aposentar (não que ela desejasse, mas de uma certa forma foi forçada) e não participaria da apresentação. Logo, alguém teria que preencher a vaga da Rainha dos Cisnes, a personagem principal da peça. É então que surge a oportunidade para a doce Nina Sayers (Portman), uma das melhores e mais dedicadas dançarinas da companhia, ter um papel  de destaque que sempre sonhou.
Pressionada pela sua obcecada mãe, Erica Sayers (Barbara Hershey), Nina dedica-se integralmente à dança. Aquela vê nesta a oportunidade que lhe escapou quando ainda realizava suas performances nos palcos de Nova Iorque, vê uma maneira de superar suas frustrações através da filha. Para Nina, é mais do que uma obrigação se tornar a Rainha dos Cisnes, é um presente para sua amada mãe e a si mesma.
Não há dúvidas que Sayers é uma das favoritas do diretor artístico Thomas Leroy (Vincent Cassel), consegue realizar os movimentos com grande graciosidade e delicadeza, que são necessários para a incorporação da pureza do Cisne Branco. Porém, a Rainha dos Cisnes não interpreta somente o Cisne Branco, deve também fazer o papel do Cisne Negro, e é aí que Nina não consegue exprimir a astúcia, malícia e sensualidade típicos da personagem. A supremacia da bailarina é colocada em risco depois da chegada da misteriosa Lily (Mila Kunis), que, com o passar do tempo, mostra ser a perfeita personificação do Cisne Negro.
Com uma rival a altura para poder lhe tomar o papel principal, e diante de sua obsessão para incorporar A Rainha dos Cisnes, Nina começa a se sobrecarregar tanto física quanto psicologicamente. Seu corpo fica desgastado e sua mente acaba entrando num surto psicótico, onde é praticamente impossível para o telespectador, e para própria Nina distinguir, a verdade das suas alucinações.
Apesar de gostar mais do segundo longa de Aronofsky, "Réquiem para um Sonho", não posso deixar de afirmar que "Cisne Negro" é a sua obra-prima, recebeu um grande reconhecimento internacional, e não apenas pelas suas excelentes atuações, como ocorreu com o já mencionado "Réquiem para um Sonho" e "O Lutador". Não vou dizer que é seu filme mais "maduro", pois todos os seus anteriores também o foram, mas é o mais "sólido" de sua carreira.
O filme é impecável em tudo aquilo que se propõe, destacando as atuações, em especial as de Natalie Portman e Barbara Hershey, quando ambas estão em cena é um show!
Natalie entrega o trabalho de uma vida, sua Nina se transforma da água para o vinho, assim como o Cisne Branco se torna o Negro, uma transformação sutil e poderosa. Consegue transmitir a loucura, a insanidade que arrebenta sua mente pouco a pouco. Uma decadência psicológica perceptível graças a uma potente lupa chamada Natalie Portman. Cada cena é magistralmente conduzida pela atriz, cada expressão, cada traço de alegria ou desespero. Ela nos faz mergulhar em sua loucura,  com que nos afundemos junto com ela.  
O aspecto técnico é muito importante e muito bem executado. A translocação da plateia para uma companhia de balé é soberba, mostrando o dia-a-dia dos dançarinos, seus ensaios, as dificuldades e os prazeres de dançar numa companhia prestigiada. Destaque para a direção de arte e figurino.
O roteiro, sombrio e obscuro, consegue delinear com precisão a dubiedade crescente dentro da personagem principal, deslocando-a da realidade para suas paranóias, sem fazer com que o espectador perceba ,até o último instante, que o que parece, na verdade não é. A direção de Darren prova-se, mais uma vez, ser uma das melhores dessa nova geração de cineastas e que, finalmente, teve um devido reconhecimento nas premiações.
Outro dos milhares de pontos positivos a fazer ressalva sobre o filme, é a parceria Darren Aronofsky + Clint Mansell. Não só o filme é a obra-prima de Aronofsky, como a sua trilha sonora pode ser considerada a obra-prima de Mansell. Este faz uma releitura, ouso até mesmo dizer, uma recriação da obra de Tchaikovsky. A partir das faixas de "O Lago dos Cisnes", Clint Mansell as adapta para a vida de Nina, transpondo para a tela a sua anima, o seu íntimo. Apesar de ser o filme mais bem recebido de Aronofsky pelo Oscar, até agora foi esnobado em categorias que, inegavelmente, deveria participar, como melhor roteiro, direção de arte, figurino, e, infelizmente, na sua inominável indicação a melhor trilha sonora.
A película pode não ser (e provavelmente não vai) a grande vencedora da noite do Oscar, mas não há dúvidas de que é a melhor entre as 10 que estão no páreo.

Inverno da Alma

Posted by Felipe C. | Posted in , | Posted on 21:45

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"You was warned, and you wouldn't listen. Why didn't you listen?"

O grande vencedor do Festival Sundance de Cinema, e um dos filmes independentes mais elogiados do ano é "Inverno da Alma" (Winter's Bone, 2010, EUA), e não é para menos. Dirigido pela praticamente desconhecida Debra Granik, estrelado pela talentosa Jennifer Lawrence, além de contar com um elenco de atores pouco conhecidos (para alguns esse foi o primeiro longa de suas carreriras), a película mostra uma das faces pouco exploradas pelo cinema americano: a pobreza.
A estória se passa em uma cidade dos Montes Ozark, no estado americano do Missouri, onde Ree Dolly (Lawrence), de 17 anos, tem que cuidar de seus dois irmão mais novos, Sonny (Isaiah Stone) e Ashlee (Ashlee Thompson), e, também, de sua mãe mentalmente debilitada. Mora numa casa cainda aos pedaços, e frequentemente recebe ajuda de parentes, vizinhos e amigos para poder sustentar a si mesma e à sua família.
As coisas começam a piorar quando, um dia, o xerife da cidade aparece na casa da garota atrás do seu pai, que não mostra a cara para a família há um bom tempo. Este havia sido preso recentemente por tráfico de drogas, contudo lhe fora concedido o direito à fiança, com uma condição, deveria comparecer em juízo para prestar depoimento, sob pena de ter a sua fiança anulada e os bens para que esta fosse garantida confiscados. Entre os tais bens está a casa da família, traduzindo, caso o pai de Ree não compareça para prestar seu depoimento, a menina e o resto da sua família seriam expulsos de seu próprio lar.
É então que a menina começa a busca pelo pai desaparecido, com ajuda do, inicialmente relutante, tio Teardrop (John Hawkes), ela persegue personalidades do submundo das drogas, afim de conseguir alguma informação sobre o paradeiro de seu progenitor.
Busca essa, que se torna bastante pergiosa, a medida que a garota chega mais perto da verdade e desconsidera os inúmeros avisos para parar de desenterrar alguns ossos que deveriam permanecer na cova.
O filme é excelente, com destaque para as fortes atuações, em especial de Jennifer Lawrence (que deve receber uma indicação ao Oscar) e de John Hawkes. O roteiro é bem trabalhado também, desenvolvendo uma ótima trama a partir da simplicidade do script. As locações são maravilhosas, dando um ar mais sombrio para a produção.
É uma das pérolas do ano, que apesar de todas suas boas qualidades, possivelmente será esquecido na categoria principal do Oscar, o que é lamentável, já que é uma das grandes produções do cinema independente em 2011 (que já tem como favorito "Minhas Mães e Meu Pai".)
Confiram o trailer como mais um incentivo para assitir o filme:


A Rede Social

Posted by Felipe C. | Posted in , , | Posted on 17:21

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You don't get to 500 million friends without making a few enemies.

Será que alguém ainda acessa isso aqui?!



Com seis indicações ao Globo de Ouro, certamente um dos grandes nomes para o Oscar 2011, além de ter conquistado diversos prêmios em diversos festivais de cinema, A Rede Social (The Social Network, EUA, 2010) o mais novo filme de David Fincher (Se7en, Clube da Luta) tem se firmado entre a crítica como um dos melhores filmes do ano. Não há como negar que Fincher faz aqui um incrível trabalho, talvez seu melhor desde "Clube da Luta", uma produção muito bem feita, com um ótimo elenco, um desenrolar da história fantástico (o roteiro é um dos pontos mais fortes do filme), uma trilha sonora encantadora e efeitos técnicos impecáveis; uma película, que pelo conjunto da obra, não merece menos que um ótimo.
Apesar de todos os pontos positivos que mencionei, e vai parecer um pouco parodaxal, o filme não é essa "coca-cola" que tem sido pregada pela crítica e premiações, como, por exemplo, os cinco prêmios (de um total de cinco indicações) que o filme levou no Boston Society of Film Critics.
De uma forma geral o filme é excepcional, como já havia dito, porém, em certas particularidades, existem outros com maior potencial.
Só quero deixar claro que o filme faz juz sim a todos os prêmios ao qual foi indicado, só não faz juz a algumas vitórias observando-se a concorrência.
Como muitos devem saber, "A Rede Social" conta a conturbada história da criação do mais famoso e utilizado site de relacionamentos existente: o Facebook.
Tudo começa numa noite em Harvard, após levar um "pé-na-bunda" da namorda Erica Albright (Rooney Mara), Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg) pega os perfis das universitárias e monta uma competição virtual, onde será escolhida a mais gostosa de Harvard. O servidor da universidade fica tão congestionado, devido aos acessos, que acaba caindo. O feito do jovem Zuckerberg, além de lhe proporcionar uma suspensão e uma quase expulsão, atrai os olhares dos irmãos Winklevoss (Armie Hammer). Afim de criar um site de relacionamento, eles propõem a Mark a sua ideia: uma webpage exclusiva para os estudantes de Harvard, onde os alunos pudessem se relacionar através da criação de perfis com compartilhamento de fotos, interesses, além de poder contar em tempo real as suas experiência e emoções na faculdade.
Com a genialidade de um geek e uma ótima ideia na cabeça, Zuckerberg parte para a criação do que, algum tempo depois, se tornaria o maior e mais conhecido site de relacionamento do mundo: o Facebook.
Contudo, Mark teve que enfrentar uma série de tramites na justiça, a começar pelos irmãos Winklevoss que o processaram por roubo de propriedade intelectual, uma vez que a ideia original do Facebook foi deles, e Zuckerberg praticamente se apropriou dela sem lhes dar o devido crédito. Outro processo que levou nas costas foi o que, seu então, melhor amigo, Eduardo Saverin (Andrew Garfield), lhe moveu, já que este também participou na criação e desenvolvimento da webpage, porém, no decorrer do crescimento do site, alguns desentendimentos foram motivos para colocar os amigos frente a frente em um tribunal.
O filme conta desde a criação do Facebook, passando pela expansão e culminando com final do julgamento. A história mistura a narração típica de filmes em terceira pessoa com partes narradas pelos personagens principais diante da Corte.
Outra participação que vale destacar é a de Justin Timberlake como Sean Parker, um dos fundadores do Napster, que também foi um dos responsáveis pela divulgação e popularização do Facebook em Stanford e  em parte da Califórnia, sendo também um dos pivôs da briga entre Zuckerberg e Saverin.
Como já mencionei, o filme é uma produção muito bem feita, tendo o roteiro e a trilha sonora (lindamente composta e conduzida, além de genialmente encaixada nos momentos certos da película, pelos poucos conhecidos Trent Reznor e Atticus Ross) como seus pontos altos. Aaron Sorkin soube aproveitar muito bem a obra de Mezrich, criando um roteiro que não deixa de lado o "nerdismo" dos personagens, ou seja, não os descaracterizando, porém não direciona o filme especificamente para o público geek, o conduz de uma maneira que, mesmo os menos familiares com esse mundo, possam entender o que está passando na tela sem muita dificuldade.
Um excelente roteiro aliado à direção segura e experiente de Fincher, conjuntamente com um elenco fantástico e uma equipe técnica eficiente, nos propiciaram um dos melhores filmes do ano, porém sem exageros como tem sido recebido pela crítica e festivais.
É provável que o filme leve a premiação principal tanto no Globo de Ouro como no Oscar, ou pelo menos na direção, já que Fincher é considerado um dos melhores cineastas da atualidade e talvez a Academia lhe conceda o prêmio mais pelo conjunto de suas obras do que pelo filme em si. Contudo, a minha torcida vai para outro filme, não é mesmo, Aronofsky?

Fica aqui o trailer, um dos melhores do ano: