Postagens "Oscar 2010"
Posted by Felipe C. | Posted in | Posted on 15:29
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O filme "Melody - Quando Brota o Amor" (não sei porque as distribuidoras adoram colocar subtítulos toscos em seus filmes) que teve como roteirista o maravilhoso Alan Parker (A Vida de David Gale, Mississippi em Chamas, Coração Satâncio e Expresso da Meia Noite) e também um elenco pouco conhecido além do diretor ganhador do EMMY (Oh!) Waris Hussein. Rodado na Inglaterra no início da década de 70, tem como personagens principais Daniel (Mark Lester, o Oliver Twist do musical 'Oliver!' ganhador do Oscar de Melhor Filme em 1969) e a linda Melody (a então novata Tracy Hyde) que são garotos de 10 anos de idade, estudam na mesma escola e num certo dia enquanto Melody frequentava as aulas e ballet, Daniel parou em frente a porta e vislumbrou tão bela criatura, quando ela também o viu... foi amor a primeira vista.
A trama é basicamente essa mas não a subestime, tem uma construção fantástica com personagens intensos e cativantes. Daniel tem um colega, Ornshaw (Jack Wild o Artful Dodger do mesmo "Oliver!"), que é um dos maus elementos do colégio, sempre mascando chiclete, quebrando as regras da escola e consequentemente levando suas devidas punições. Estão sempre juntos, as vezes ajudando Daniel a chegar para Melody, as vezes com ciúmes do amigo.
A trilha sonora composta por maravilhosas músicas do Bee Gees dá um toque mais romântico ao filme. Emocionante é ver as crianças se amando de uma forma pura, receando ao pegar um na mão do outro, fazendo aquele passeio no parquinho e na praia. É a própria inocência. Coisa que quase não vemos mais hoje; se você vai numa festa é possível ver crianças de 10 , 11 anos trocando beijos. Cadê a infância?, passam esse período todo querendo ser adultos e quando o são desejam voltar a ser crianças. É um filme bonito, puro e inocente. Impossível não ter um momento de nostalgia. Uma ressalva é que não possui um roteiro bobinho como o do "Meu Primeiro Amor" (sim é aquele do Macaulay Culkin). Esse primeiro trabalho de Parker mostra o talentoso roteirista que viria a ser. Percebe-se também uma alcunha social ao retratar um professor que não responde as perguntas, só passa o "decoreba", fórmulas para decorar datas e fatos; a família dos protagonistas e a de Ornshaw também retratam uma suave crítica.
Voltando ao filme. Tudo isso muda ao receber pelo correio um postal anônimo advertindo-o a não se hospedar no quarto 1408 do hotel Dolphin, uso barato da psicologia reversa. O gerente Gerald Olin (Samuel L. Jackson) faz de tudo para que Mike não coloque o pé no quarto maldito, mostrando fotos, contando estórias das 56 vítimas fatais (fora as que saíram machucada, como a camareira que perde o olho) do 1408. Tudo em vão. Ele não fazia idéia do inferno que sua vida se tornaria quando pisasse no chão do quarto e trancasse a porta que nunca deveria se fechar.
Descobri recentemente que há dois finais para o filme (um oficial e uma provável versão do diretor). Assisti apenas um deles (creio que seja a versão do diretor) e me contaram o outro (acho que é o oficial), a minha opção de melhor desfecho é o que eu vi (versão do diretor).
Håfström conduz o filme de maneira claustrofóbica, principalmente durante a “prisão” de Mike no 1408. A falta de ar pode ser sentida pelo próprio espectador, com a eliminação das janelas, a perseguição nos túbulos de ventilação e até com a tentativa frustrada de chegar a um outro quarto através do beiral. Fora do recinto também é possível perceber tal sensação, através do afogamento e da agonia.
A personagem passa, dentro do quarto, por todos os círculos do inferno descritos por Dante Alighieri na sua “Divina Comédia”. Do mais externo, para onde vão aqueles que morrem e não foram batizados, até o último, gelado, feito das lágrimas dos sofredores.
Uma coisa curiosa é a constante alusão ao número 13. A começar pelo título do filme 1408 (1+4+0+8 = 13) se for contar as letras de “Michael Enslin” também da 13. Dentre várias outras. É curioso lembrar que nos EUA, em geral, por motivos supersticiosos, os hotéis (e relativos) não possuem o 13º andar. Do 12º pula para o 14º. Portanto, tecnicamente, o quarto 1408 ficaria no 13º andar. Paranóia?!
É mais uma adaptação de sucesso do grande mestre que juntamente com “O Iluminado” de Kubrick, “Na Hora da Zona Morta” de Cronenberg, “O Nevoeiro” de Darabont, “O Aprendiz” de Singer e dentre vários outros, atinge o seu objetivo: imprimir o terror e a loucura humana.
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