Prêmio Dardos

Posted by Felipe C. | Posted in | Posted on 19:50

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Recentemente, meu amigo Luca, responsável pelo blog Midnight Drive-In, me presenteou com o selo do Prêmio Dardos. Mas afinal, o que é o Prêmio Dardos? "O Prêmio Dardos é um reconhecimento dos valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras".

Mais uma vez obrigado pela agraciação, e aqui vão os meus indicados:

Sob a Minha Lente (Vinícius Silva)
Cinefilando (Vivi e Tiago)
Pós.Première (Elton Telles)
Let's talk 'bout nothin' (Alex Pizziolo)
Cinema, Livros e Séries (Guilherme Primo)

Aos que receberam os selos, aqui vão as instruções:
1. Exibir a imagem do selo no seu blog.
2. Linkar o blog pelo qual recebeu a indicação.
3. Escolher outros blogs para receber o selo.
4. Avisar os escolhidos.


Bravura Indômita

Posted by Felipe C. | Posted in , , , , , , | Posted on 11:06

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"There is nothing free in this world... except the grace of God."

Os Irmãos Coen são uns dos queridinhos da Academia, apesar de seus filmes não serem nada convencionais, pois costumeiramente têm uma pitada (em alguns casos uma quantidade BEM maior) de cinismo, ironia e humor negro.
Desde que ganharam o Oscar de Melhor Filme por "Onde os Fracos não têm Vez", todas as suas películas têm sido amplamente elogiadas, mesmo não sendo essa "Coca-Cola" toda, como foi o caso de "Queime Depois de Ler".
"Bravura Indômita" (True Grit, 2010, EUA) o mais novo filme da dupla, não se encaixa nas típicas películas ácidas dos irmãos, apesar de manter algumas das características de suas obras, como, por exemplo, a cadência lenta da sucessão de acontecimentos durante a trama, contudo não deixa de ser um excelente filme, nem de receber os elogios do público e crítica. Com 10 indicações ao Oscar (apesar de ter saído com as mãos vazias), esse, de fato, merece todo o burburinho que tem sido feito em sua homenagem. O melhor de Joel e Ethan Coen desde "Onde os Fracos não têm Vez"
Uma refilmagem do clássico homônimo de 1969 que rendeu a John Wayne o Oscar de Melhor Ator, que ao contrário deste, tem sua trama mais centrada na garota. Mattie Ross (Hailee Steinfeld) tem 14 anos e acabou de perder o pai pelas mãos de um pistoleiro chamado Tom Chaney (Josh Brolin). Tudo o que ela mais quer é vingança. Para ter seu desejo atendido, contrata um tipo de xerife local, o anti-herói beberrão e preguiçoso Reuben J. "Rooster" Cogburn (Jeff Bridges), (viu nele uma bravura indômita), para poder perseguir Chaney e por um fim na sua vida. Porém não é só Mattie que está atrás do fora-da-lei, o patrulheiro texano LaBoeuf (Matt Damon), tem seus próprios motivos para querer a cabeça de Chaney.
O trio, então, parte para o território indígena do estado do Arkansas, local para onde o pistoleiro, junto com outros membros de sua gangue, havia fugido. Nessa viagem irão acontecer eventos que mudarão para sempre a vida de nossos protagonistas.
Um ótimo filme graças ao talento dos Coen, mas especialmente pelas atuações de Hailee Steinfeld e Jeff Bridges. A menina é uma coisa inexplicável, as cenas de negociações são INCRÍVEIS, nunca vi nada parecido vindo de uma garota com tão pouca idade (nem nos casos de Abigail Breslin em "Pequena Miss Sunshine", ou Saoirse Ronan em "Desejo e Reparação", ou até mesmo Anna Paquin em "O Piano"). Só não acho que deveria receber o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante pelo simples fato de não ser a coadjuvante da estória, Mattie é, sem dúvida alguma, a protagonista do filme, ela que conduz toda a trama e é nela que são focados os seus desenrolares.
Bridges está soberbo, logo no primeiro encontro com Steinfeld já consegue desmistificar a imagem convencional de um herói (que tipo herói tem uma conversa teoricamente importante enquanto está usando a latrina?) e, apesar de pouco aparecer, Matt Damon entrega uma ótima atuação. A fotografia de Roger Deakins é de encher os olhos, dando bastante espaço para que a paisagem local se destaque, mas sem cometer exageros. O figurino muito bem alocado, de Mary Zophres, conjuntamente com a direção de arte de Jess Gonchor e Nance Haigh, são os responsáveis pela convincente recriação do velho oeste americano do final do século XIX.
Um ponto que ficou a desejar foi a trilha sonora do filme. Composta por Carter Burwell (um dos responsáveis pela magnífica trilha de "Onde Vivem os Monstros"), é muito interessante se analisada à parte do filme, porém, durante a película as músicas pareciam ligeiramente deslocadas. Fico imaginando com seria se a trilha fosse composta por Ennio Morricone...
Os Coen entregam uma nova releitura da obra de Charles Portis, algo bem diferente do que foi visto no filme de Hathaway, algo inovador, principalmente para uma película de uma das duplas mais "alternativas" do cinema hollywoodiano. Volto a ressaltar as atuações e toda a parte artística e visual do filme, que são, de fato, de tirar o fôlego.
Apesar da falta de ação, por se tratar de western, o filme consegue ser um dos melhores do gênero, colocando-se, juntamente com "Os Indomáveis", como um dos melhores remakes de faroeste (ou até mesmo  apenas "melhores remakes") dos últimos anos. De fato, vale a pena!



Burlesque

Posted by Felipe C. | Posted in , | Posted on 06:27

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"Alice, hm? Well, welcome to Wonderland."


Os últimos dois anos têm sido um fiasco para a produção de musicais em Hollywood. Em 2009 tivemos o flopado "Nine", uma readaptação do clássico "8½" de Fellini, dirigido pelo diretor de outro grande musical, "Chicago", porém não foi muito bem recebido pelo público e muito menos pela crítica. Ano passado tivemos "Burlesque" (Idem, EUA, 2010), um filme cheio estrelas, mas que não passa de um amontoado de clichês.
Alice (o primeiro papel no cinema de Christina Aguilera) é uma garçonete que vive numa pequena cidade no interior do Iowa e decide ir atrás de seu sonho: se mudar para Las Vegas para poder se tornar uma cantora, apresentando-se em inúmeras casas de shows que têm por lá.
Nessa sua procura é que a moça se depara com o decadente Burlesque, comandado a mão de ferro por Tess (Cher) e que, aos poucos, está afundando em dívidas.
Num primeiro momento, ninguém botava muita fé na menina, começou a trabalhar na casa noturna apenas como garçonete graças a ajuda de Jack (Cam Gigandet), um barman que ela acreditava ser gay, mas que depois se mostrou totalmente o oposto.
Com o passar dos dias, Ali se torna cada vez mais obstinada a subir no palco e se apresentar com as demais dançarinas do Burlesque. Pratica vários números da Broadway, e de tanto insistir, Tess acaba lhe dando uma chance, acreditando, é claro, que estará perdendo seu tempo. Ali, obviamente, arrasa fazendo a performance de "Wagon Wheel Watusi" e consegue uma vaguinha como a mais nova dançarina da casa.
Como disse anteriormente, o sonho de Alice era cantar e não dançar, e no Burlesque a única coisa que canta, além de Tess, é o playback. Quando a garota sugere uma cantoria de verdade para sua chefe, essa recusa a ideia na hora. Isso até Nikki (Kristen Bell), tomada pela inveja de ver Ali pegando o seu lugar de destaque, tenta sabotar uma apresentação de "Tough Lover" e o tiro acaba saindo pela culatra, Ali tem a oportunidade de mostrar seu vozeirão, em uma das melhores cenas do filme, e acaba se tornando a estrela principal do Burlesque. Agora, Tess vê uma luz no fim do túnel, uma oportunidade de liquidar suas dívidas sem ter que vender o clube para Marcus (Eric Dane) que planeja demolí-lo para construir um arranha-céus já que o local tem uma das melhores vistas de Vegas.
É possível ver que a história é a mesma de vários outros filmes, portanto o roteiro não é, nem de longe, seu ponto forte. No quesito atuações, Christina só se sobressai enquanto canta; a Tess de Cher está longe de chegar aos pés de Loretta Castorini, mas também não faz jus à indicação ao Framboesa de Ouro; não consegui ver muita diferença entre Sean e Nigel (ambos vividos por Stanley Tucci), Cam Gigandet é um simples bonitão colocado na história para fazer par com a protagonista e Eric Dane faz um papel tremedamente canastrão. Kristen Bell e Alan Cumming que são dois grandes atores também não foram muito bem utilizados no desenvolver da película.
Então, no que o filme se sobressai? As apresentações musicais conjuntamente com as coreografias são excelentes, os números de "Burlesque" são ótimos! Bem montados, ensaiados e executados. O figurino e a direção de arte também se  destacam, sem falar, é claro, nas canções: Cher arrasa cantando "You Haven't Seen the Last of me" e Christina manda muito bem em "Bound to You".
Apesar de ter roubado a vaga de algum filme de comédia na categoria principal do Globo de Ouro,  certamente mereceu as duas indicações de "Melhor Canção", contudo o Oscar não quis dar nem esse gostinho ao filme, apesar de merecer (já que as canções de "Toy Story 3" e "Country Strong" não são tão boas assim).
Depois de "Hairspray", "Chicago", "Moulin Rouge", "Sweeney Todd", "Cabaret", "Hair", "Grease", "Amor, Sublime Amor", "Mary Poppins", "A Noviça Rebelde", "Cantando na Chuva" e inúmeros outros, é... parece que não se fazem mais musicais como antigamente.




A Sétima Alma

Posted by Felipe C. | Posted in , | Posted on 16:09

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"Only one has the power to save their souls"

Não há muito do que se falar dos filmes de terror feitos nos EUA nos últimos tempos. Não sei se todas as ideias boas se esgotaram, ou se há preguiça em desenvolver um roteiro mais sofisticado e elaborado, ou simplesmente é a pressa de produzir qualquer porcaria para poder ganhar dinheiro. Não que A Sétima Alma (My Soul to Take, EUA, 2010) seja aquele filme ruim do doer, mas esperava mais de uma película com o nome de Wes Craven na direção e no roteiro. "Pânico","A Hora do Pesadelo", "Quadrilha de Sádicos" e "Aniversário Macabro", além de uns ótimos episódios de "Além da Imaginação", são algumas das obra-primas deste expoente do cinema de terror e suspense. Contudo, o seu mais novo filme não tem nenhuma ambição, apesar de sua boa premissa,  tem um roteiro mediano, diálogos bobinhos e alguns clichês.
Um "serial killer", com múltiplas personalidades, aterrorizou a cidade de Riverton. Na noite de sua morte sete crianças nasceram e uma lenda foi criada: o assassino jurou que voltaria para matar aos sete que nasceram no dia de sua morte, desde então, as sete crianças, neste dia tão especial e tão macabro, têm que "matar" o assassino novamente para ele não levar suas almas uma por uma.
No dia do 16º aniversário de morte do "serial killer" a polícia interrompe a ritual, Adam "Bug" Heller (Max Thieriot) não consegue "matar" o assassino. É então que os sete começam a desaparecer e a reaparecer mortos, eles têm até o final do dia de seus aniversários para parar quem quer que esteja cometendo os assassinatos, antes que todos estejam mortos. Mas nem tudo é o que parece ser, existem segredos ocultos que podem mudar o jogo.
Como eu disse, a premissa é interessante, porém mal executada. Alguns momentos até chegam a empolgar, mas logo somos frustrados por alguns clichês bem bobos. Se prestar atenção, tem como pegar os "segredos" no ar.
Caso comparemos com outros filmes de "terror" que têm saido nos últimos anos, em especial certos remakes e produções do Sr. Michael Bay, dá até para dizer que "A Sétima Alma" é um bom filme, mas se pegarmos o Sr. Craven em sua melhor forma, bem... lixo total.
Não vou dizer que é uma perda total de tempo, pois até dá para se divertir com o filme, mas se tiver outras opções melhores... agora, caso tenha que escolher entre o remake de "A Hora do Pesadelo" e "A Sétima Alma", fique com o segundo, sem nem pensar duas vezes. Contudo, existe vida além dos EUA, alguns filmes de terror, principalmente os japoneses e coreanos, dão medo MESMO, como "Ringu", "Janghwa, Hongryeon", "Ju-On" e "Bakjwi".Não é dificil achar um filme que faça gelar o sangue, basta procurar.


Cisne Negro

Posted by Felipe C. | Posted in , , , | Posted on 08:47

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"I just want to be perfect."

Pessoal, estou de volta! Estive viajando algumas semanas atrás e, para completar, meu computador quebrou. Agora que já tá tudo arrumado, vamos que vamos.

O mais novo filme de Darren Arronofsky, Cisne Negro (Black Swan, EUA, 2010),  indicado a 05 Oscar, que tem arrancando aplausos calorosos e conquistado plateias ao longo do mundo, e que, no domingo retrasado (16), rendeu a Natalie Portman o Globo de Ouro de Melhor Atriz (Drama), uma das categorias mais ovacionadas da cerimônia, pode ser considerada a mais nova obra-prima de Hollywood. A história se passa no mundo do balé contemporâneo em Nova Iorque, onde uma companhia de dança se prepara para a apresentação de uma das obra-primas de Tchaikovsky: O Lago dos Cisnes. Foi anunciado que uma das bailarinas veteranas, Beth Macintyre (Winona Ryder), iria se aposentar (não que ela desejasse, mas de uma certa forma foi forçada) e não participaria da apresentação. Logo, alguém teria que preencher a vaga da Rainha dos Cisnes, a personagem principal da peça. É então que surge a oportunidade para a doce Nina Sayers (Portman), uma das melhores e mais dedicadas dançarinas da companhia, ter um papel  de destaque que sempre sonhou.
Pressionada pela sua obcecada mãe, Erica Sayers (Barbara Hershey), Nina dedica-se integralmente à dança. Aquela vê nesta a oportunidade que lhe escapou quando ainda realizava suas performances nos palcos de Nova Iorque, vê uma maneira de superar suas frustrações através da filha. Para Nina, é mais do que uma obrigação se tornar a Rainha dos Cisnes, é um presente para sua amada mãe e a si mesma.
Não há dúvidas que Sayers é uma das favoritas do diretor artístico Thomas Leroy (Vincent Cassel), consegue realizar os movimentos com grande graciosidade e delicadeza, que são necessários para a incorporação da pureza do Cisne Branco. Porém, a Rainha dos Cisnes não interpreta somente o Cisne Branco, deve também fazer o papel do Cisne Negro, e é aí que Nina não consegue exprimir a astúcia, malícia e sensualidade típicos da personagem. A supremacia da bailarina é colocada em risco depois da chegada da misteriosa Lily (Mila Kunis), que, com o passar do tempo, mostra ser a perfeita personificação do Cisne Negro.
Com uma rival a altura para poder lhe tomar o papel principal, e diante de sua obsessão para incorporar A Rainha dos Cisnes, Nina começa a se sobrecarregar tanto física quanto psicologicamente. Seu corpo fica desgastado e sua mente acaba entrando num surto psicótico, onde é praticamente impossível para o telespectador, e para própria Nina distinguir, a verdade das suas alucinações.
Apesar de gostar mais do segundo longa de Aronofsky, "Réquiem para um Sonho", não posso deixar de afirmar que "Cisne Negro" é a sua obra-prima, recebeu um grande reconhecimento internacional, e não apenas pelas suas excelentes atuações, como ocorreu com o já mencionado "Réquiem para um Sonho" e "O Lutador". Não vou dizer que é seu filme mais "maduro", pois todos os seus anteriores também o foram, mas é o mais "sólido" de sua carreira.
O filme é impecável em tudo aquilo que se propõe, destacando as atuações, em especial as de Natalie Portman e Barbara Hershey, quando ambas estão em cena é um show!
Natalie entrega o trabalho de uma vida, sua Nina se transforma da água para o vinho, assim como o Cisne Branco se torna o Negro, uma transformação sutil e poderosa. Consegue transmitir a loucura, a insanidade que arrebenta sua mente pouco a pouco. Uma decadência psicológica perceptível graças a uma potente lupa chamada Natalie Portman. Cada cena é magistralmente conduzida pela atriz, cada expressão, cada traço de alegria ou desespero. Ela nos faz mergulhar em sua loucura,  com que nos afundemos junto com ela.  
O aspecto técnico é muito importante e muito bem executado. A translocação da plateia para uma companhia de balé é soberba, mostrando o dia-a-dia dos dançarinos, seus ensaios, as dificuldades e os prazeres de dançar numa companhia prestigiada. Destaque para a direção de arte e figurino.
O roteiro, sombrio e obscuro, consegue delinear com precisão a dubiedade crescente dentro da personagem principal, deslocando-a da realidade para suas paranóias, sem fazer com que o espectador perceba ,até o último instante, que o que parece, na verdade não é. A direção de Darren prova-se, mais uma vez, ser uma das melhores dessa nova geração de cineastas e que, finalmente, teve um devido reconhecimento nas premiações.
Outro dos milhares de pontos positivos a fazer ressalva sobre o filme, é a parceria Darren Aronofsky + Clint Mansell. Não só o filme é a obra-prima de Aronofsky, como a sua trilha sonora pode ser considerada a obra-prima de Mansell. Este faz uma releitura, ouso até mesmo dizer, uma recriação da obra de Tchaikovsky. A partir das faixas de "O Lago dos Cisnes", Clint Mansell as adapta para a vida de Nina, transpondo para a tela a sua anima, o seu íntimo. Apesar de ser o filme mais bem recebido de Aronofsky pelo Oscar, até agora foi esnobado em categorias que, inegavelmente, deveria participar, como melhor roteiro, direção de arte, figurino, e, infelizmente, na sua inominável indicação a melhor trilha sonora.
A película pode não ser (e provavelmente não vai) a grande vencedora da noite do Oscar, mas não há dúvidas de que é a melhor entre as 10 que estão no páreo.

Inverno da Alma

Posted by Felipe C. | Posted in , | Posted on 21:45

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"You was warned, and you wouldn't listen. Why didn't you listen?"

O grande vencedor do Festival Sundance de Cinema, e um dos filmes independentes mais elogiados do ano é "Inverno da Alma" (Winter's Bone, 2010, EUA), e não é para menos. Dirigido pela praticamente desconhecida Debra Granik, estrelado pela talentosa Jennifer Lawrence, além de contar com um elenco de atores pouco conhecidos (para alguns esse foi o primeiro longa de suas carreriras), a película mostra uma das faces pouco exploradas pelo cinema americano: a pobreza.
A estória se passa em uma cidade dos Montes Ozark, no estado americano do Missouri, onde Ree Dolly (Lawrence), de 17 anos, tem que cuidar de seus dois irmão mais novos, Sonny (Isaiah Stone) e Ashlee (Ashlee Thompson), e, também, de sua mãe mentalmente debilitada. Mora numa casa cainda aos pedaços, e frequentemente recebe ajuda de parentes, vizinhos e amigos para poder sustentar a si mesma e à sua família.
As coisas começam a piorar quando, um dia, o xerife da cidade aparece na casa da garota atrás do seu pai, que não mostra a cara para a família há um bom tempo. Este havia sido preso recentemente por tráfico de drogas, contudo lhe fora concedido o direito à fiança, com uma condição, deveria comparecer em juízo para prestar depoimento, sob pena de ter a sua fiança anulada e os bens para que esta fosse garantida confiscados. Entre os tais bens está a casa da família, traduzindo, caso o pai de Ree não compareça para prestar seu depoimento, a menina e o resto da sua família seriam expulsos de seu próprio lar.
É então que a menina começa a busca pelo pai desaparecido, com ajuda do, inicialmente relutante, tio Teardrop (John Hawkes), ela persegue personalidades do submundo das drogas, afim de conseguir alguma informação sobre o paradeiro de seu progenitor.
Busca essa, que se torna bastante pergiosa, a medida que a garota chega mais perto da verdade e desconsidera os inúmeros avisos para parar de desenterrar alguns ossos que deveriam permanecer na cova.
O filme é excelente, com destaque para as fortes atuações, em especial de Jennifer Lawrence (que deve receber uma indicação ao Oscar) e de John Hawkes. O roteiro é bem trabalhado também, desenvolvendo uma ótima trama a partir da simplicidade do script. As locações são maravilhosas, dando um ar mais sombrio para a produção.
É uma das pérolas do ano, que apesar de todas suas boas qualidades, possivelmente será esquecido na categoria principal do Oscar, o que é lamentável, já que é uma das grandes produções do cinema independente em 2011 (que já tem como favorito "Minhas Mães e Meu Pai".)
Confiram o trailer como mais um incentivo para assitir o filme:


A Rede Social

Posted by Felipe C. | Posted in , , | Posted on 17:21

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You don't get to 500 million friends without making a few enemies.

Será que alguém ainda acessa isso aqui?!



Com seis indicações ao Globo de Ouro, certamente um dos grandes nomes para o Oscar 2011, além de ter conquistado diversos prêmios em diversos festivais de cinema, A Rede Social (The Social Network, EUA, 2010) o mais novo filme de David Fincher (Se7en, Clube da Luta) tem se firmado entre a crítica como um dos melhores filmes do ano. Não há como negar que Fincher faz aqui um incrível trabalho, talvez seu melhor desde "Clube da Luta", uma produção muito bem feita, com um ótimo elenco, um desenrolar da história fantástico (o roteiro é um dos pontos mais fortes do filme), uma trilha sonora encantadora e efeitos técnicos impecáveis; uma película, que pelo conjunto da obra, não merece menos que um ótimo.
Apesar de todos os pontos positivos que mencionei, e vai parecer um pouco parodaxal, o filme não é essa "coca-cola" que tem sido pregada pela crítica e premiações, como, por exemplo, os cinco prêmios (de um total de cinco indicações) que o filme levou no Boston Society of Film Critics.
De uma forma geral o filme é excepcional, como já havia dito, porém, em certas particularidades, existem outros com maior potencial.
Só quero deixar claro que o filme faz juz sim a todos os prêmios ao qual foi indicado, só não faz juz a algumas vitórias observando-se a concorrência.
Como muitos devem saber, "A Rede Social" conta a conturbada história da criação do mais famoso e utilizado site de relacionamentos existente: o Facebook.
Tudo começa numa noite em Harvard, após levar um "pé-na-bunda" da namorda Erica Albright (Rooney Mara), Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg) pega os perfis das universitárias e monta uma competição virtual, onde será escolhida a mais gostosa de Harvard. O servidor da universidade fica tão congestionado, devido aos acessos, que acaba caindo. O feito do jovem Zuckerberg, além de lhe proporcionar uma suspensão e uma quase expulsão, atrai os olhares dos irmãos Winklevoss (Armie Hammer). Afim de criar um site de relacionamento, eles propõem a Mark a sua ideia: uma webpage exclusiva para os estudantes de Harvard, onde os alunos pudessem se relacionar através da criação de perfis com compartilhamento de fotos, interesses, além de poder contar em tempo real as suas experiência e emoções na faculdade.
Com a genialidade de um geek e uma ótima ideia na cabeça, Zuckerberg parte para a criação do que, algum tempo depois, se tornaria o maior e mais conhecido site de relacionamento do mundo: o Facebook.
Contudo, Mark teve que enfrentar uma série de tramites na justiça, a começar pelos irmãos Winklevoss que o processaram por roubo de propriedade intelectual, uma vez que a ideia original do Facebook foi deles, e Zuckerberg praticamente se apropriou dela sem lhes dar o devido crédito. Outro processo que levou nas costas foi o que, seu então, melhor amigo, Eduardo Saverin (Andrew Garfield), lhe moveu, já que este também participou na criação e desenvolvimento da webpage, porém, no decorrer do crescimento do site, alguns desentendimentos foram motivos para colocar os amigos frente a frente em um tribunal.
O filme conta desde a criação do Facebook, passando pela expansão e culminando com final do julgamento. A história mistura a narração típica de filmes em terceira pessoa com partes narradas pelos personagens principais diante da Corte.
Outra participação que vale destacar é a de Justin Timberlake como Sean Parker, um dos fundadores do Napster, que também foi um dos responsáveis pela divulgação e popularização do Facebook em Stanford e  em parte da Califórnia, sendo também um dos pivôs da briga entre Zuckerberg e Saverin.
Como já mencionei, o filme é uma produção muito bem feita, tendo o roteiro e a trilha sonora (lindamente composta e conduzida, além de genialmente encaixada nos momentos certos da película, pelos poucos conhecidos Trent Reznor e Atticus Ross) como seus pontos altos. Aaron Sorkin soube aproveitar muito bem a obra de Mezrich, criando um roteiro que não deixa de lado o "nerdismo" dos personagens, ou seja, não os descaracterizando, porém não direciona o filme especificamente para o público geek, o conduz de uma maneira que, mesmo os menos familiares com esse mundo, possam entender o que está passando na tela sem muita dificuldade.
Um excelente roteiro aliado à direção segura e experiente de Fincher, conjuntamente com um elenco fantástico e uma equipe técnica eficiente, nos propiciaram um dos melhores filmes do ano, porém sem exageros como tem sido recebido pela crítica e festivais.
É provável que o filme leve a premiação principal tanto no Globo de Ouro como no Oscar, ou pelo menos na direção, já que Fincher é considerado um dos melhores cineastas da atualidade e talvez a Academia lhe conceda o prêmio mais pelo conjunto de suas obras do que pelo filme em si. Contudo, a minha torcida vai para outro filme, não é mesmo, Aronofsky?

Fica aqui o trailer, um dos melhores do ano:


Karate Kid

Posted by Felipe C. | Posted in | Posted on 21:35

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Everything... is Kung Fu.

Algum tempo atrás havia surgido um boato da regravação do filme oitentista "Karate Kid: A Hora da Verdade", vários fãs não gostaram da notícia, já que a grande parte dos remakes têm uma qualidade bastante inferior à do original.
O boato foi ganhando solidez, quando o nome de Will Smith foi confirmado como um dos produtores do filme e, algum tempo depois, seu filho, Jaden Smith ("À Procura da Felicidade" e "O Dia em que a Terra Parou" que, coincidentemente, também havia sido uma regravação), foi confirmado como o protagonista da película.
O desgosto dos antigos fãs aumentou quando foi anunciado que seria um "Kung Fu Kid" e não um "Karate Kid", houve até uma tentativa para mudar o nome, mas acabou prevalecendo o mesmo do da franquia encabeçada por Daniel-san e o Sr. Miyagi, mais para trazer os fãs do antigo e despertar um interesse maior nas pessoas e, consequentemente, gerar mais lucro.
Então, surgiram aqueles "engraçadinhos" sempre com o mesmo cometário sem-graça:
-É um filme de kung fu ou karate?
Ou algo do tipo.
Começaram a julgar o filme sem nem ao menos terem visto um trailer, um featurette, um making of, sem terem visto absolutamente NADA. (Estou vendo o mesmo acontecer com "X-Men : First Class", que o pessoal já está metendo pau só por causa da escalação dos personagens).
Quer falar mau, fala, mas primeiro, vai assistir o filme!
Após esse desabafo (;p), vamos à trama:
A ideia central do remake é praticamente a mesma do original, um garoto (Jaden Smith) que se muda, é vítima de bullying, só que o seu agressor sabe bater de verdade, não é um simples amador, e para conseguir se defender é treinado por um velhote (Jackie Chan) para quem ninguém dava nada.
A principal mudança é a troca de estilos, como já mencionei, do karate para o kung fu. Outra grande alteração é a locação, em vez do personagem principal se mudar de Nova Jersey para Califórnia, ele se muda dos EUA para a China, tendo que vivenciar uma cultura TOTALMENTE diferente com a qual estava acostumado.
Apesar de ser um filme longo e se enquadrar no gênero família, "Karate Kid" (Idem, 2010, EUA/China) é ótimo na função a qual se destina: o entreterimento.
As cenas de ação são maravilhosamente coreografadas e o filme passa o espírito, a "moral" do kung fu, uma arte marcial destinada ao equilíbrio do ser humano e não como uma "arma de briga".
No filme existem os típicos problemas do gênero como algumas falhas de roteiro, clichês, alguns personagens caricatos e etc. Entretanto, a dupla principal (Smith e Chan) nos presenteiam com ótimas atuações. Jackie Chan consegue equilibrar sua veia cômica com a dramática, porém pendendo exponencialmente à esta, e Jaden Smith tem o grande talento da atuação e o carisma herdados do pai.
Devido ao grande sucesso nos cinemas americano, o filme já tem uma continuação garantida. Espero que não estraguem a história só para poder ganhar alguma graninha extra.
Se você quer uma maneira para passar o tempo, assistir "Karate Kid" é uma ótima opção, as cenas de luta vão te deixar sem fôlego (em especial as cenas do torneio no final do filme, sensacional!) e até agora não sei se aquele muleque realmente fez tudo aquilo ou se foram dublês CGI ou alguma coisa assim, se ele conseguiu mesmo fazer essa abertura total... sem comentários! :P



The Big C - 01x01 (Pilot)

Posted by Felipe C. | Posted in , | Posted on 19:51

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É inquestionável que a TV fechada dos EUA transmite seriados de qualidade bem superior aos da TV aberta (com raras exceções). A Showtime é um bom exemplo. Responsável por grandes sucessos como Dexter, Weeds, Californication, United States of Tara, The Tudors e Nurse Jackie, agora nos trás uma nova série que promete ser o mais novo sucesso do canal: The Big C.
Estrelado por uma das atrizes mais talentosas de Hollywood hoje, e que eu, particularmente, admiro muito: Laura Linney.
A trama lida com uma mãe do subúrbio (acho que a Showtime tem uma "tara" por locações em subúrbios) que após ser diagnosticada com câncer procura mudar o jeito de viver, encontrar alguma graça no meio da tragédia que vivem as pessoas que têm que lidar com a doença.
No episódio "Piloto" da série, nos deparamos com uma Cathy Jamison (Linney) ainda mergulhada na vida que sempre levou: uma pessoa sistematicamente chata, uma esposa chata, uma mãe chata, uma professora chata, uma irmã chata, uma vizinha chata. Passando por crise no seu relacionamento com o marido Paul Jamison (o excelente Oliver Platt), por dificuldades na criação do filho adolescente (Gabriel Basso) e até com problemas de relacionamento com  uma vizinha nenhum pouco amigável e com seus alunos, pauso aqui para realçar um diálogo antológico, já nesse primeiro episódio, protagonizado por Linney e por Gabourey Sidibe (a Precious de "Precious"): "You can't be fat and mean, Andrea".
Ao descobrir sobre sua doença, mas sem contar para ninguém, começa a refletir sobre a sua vida, sobre as atitudes que tem tomado, sobre cada momento, sobre cada segundo. Após uma conversa com seu irmão Sean (John Benjamin Hickey) e seu médico Dr. Todd Miller (Reid Scott) começa a se reestruturar, fazer cada minuto que lhe resta valher a pena, para que seja lembrada, para que deixe uma marca positiva na vida das pessoas pelas quais passou. E começa a receber "respostas" com certas atitudes, digamos, postivas que toma.
Esse primeiro episódio foi excelente, com ótimas doses de humor e uma pitada de drama. As atuações são soberbas, destacando, obviamente, Laura e Oliver. Acho que veremos esses nomes fácil fácil no Globo De Ouro e no próximo EMMY.
A transformação de Cathy já começa nesse primeiro episódio, mas tenho impressão que ela deve ter algumas recaídas nos próximos. A atitude que ela toma com o filho, já nos minutos finais, fez minha barriga doer de tanto rir.
Uma coisa que observei também, é que essa trama não dá espaço pra muitos episódios, meu único medo é que a Showtime prolongue demais o seriado e acabe perdendo o foco, como aconteceu e acontece com várias séries de tv.
Fora isso, o piloto trouxe uma ótima primeira impressão. Quem gosta de comédias e boas atuações, "The Big C" é um prato cheio.




Breaking Bad - 2ª Temporada

Posted by Felipe C. | Posted in , | Posted on 18:59

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"So do you have a plan? Yeah, Mr. White! Yeah, science!"

'CONTÉM SPOILERS'

Essa nova temporada começa de onde a última terminou, quando Tuco rapta o Sr. White e Jesse. Ele os leva para o seu esconderijo, onde cuida do seu tio, que vive montado em uma cadeira de rodas, e se comunica exclusivamente através de um tipo de campanhia.
O que acontece nos minutos seguintes faz o sangue do espctador gelar e ficar tão apreensivo quanto os dois neo-traficantes.
Essa segunda temporada é bem mais intensa do que a primeira, nesta estávamos sendo apresentados ao mundo de Walter, aos seus problemas pessoais e nos adentrávamos, aos poucos, no submundo do tráfico de drogas pelas ruas de Albuquerque. Já na season two, mais íntimos do mundo de Walter e Jesse, nos aprofundamos na questão que dá alma ao seriado, a produção e o tráfico de metanfetamina.
Episódios excelentes que não pecam pela falta de qualidade, para falar a verdade, nem sei se pecam em algum ponto. Tem um ou outro que não são empolgantes, mas não perdem a sua excelência.
Walter e Jesse agora precisam de um método para vender seu produto sem recorrer a terceiros, como já tinham testado nas duas vezes anterior e sem sucesso algum em ambas.
Walter continua a cozinhar normalmente, e Jesse pede a ajuda de alguns companheiros seus para lidar com o tráfico. Infelizmente as coisas começam a desandar quando a blue meth (a metanfetamina produzida por Walter) se torna bastante popular e os inexperientes traficantes começam a sofrer roubos e ameaças.
Paralelamente, Skyler fica extremamente desconfiada dos repentinos desaparecimentos de Walter e começa a investigar sua vida. Suspeita que ele esteja mantendo um caso com uma velha "conhecida" que supostamente o ajudara com o seu tratatamento com o câncer, Gretchen. Porém descobre que o buraco é bem mais embaixo.
Na primeira temporada, Walt começa a quimeoterapia ficando careca no penúltimo episódio (uma das marcas registradas de Walter White e, pelo menos eu, não consigo mais imaginá-lo com cabelo), nessa temporada os resultados começam a surtir efeito e o seu tumor tem uma melhora exponencial, o que faz o protagonista questionar se deve continuar ou não no seu novo empreendimento. O caso é que alguns eventos futuros (relacionados com o parágrafo anterior) fazem com que Sr. White não pare os negócios.
Nessa temporada temos a introdução do advogado pilantra, Saul Goodman, que é quem vai auxiliar os negócios de Walt e Jesse. Sua participação na segunda temporada não é muito grande, mas na seguinte deve aumentar (eu ainda não vi a terceira, mas pelo desenrolar da trama creio que ele deve aparecer mais).
Após decidir não parar com a produção de meth, Walt consegue encontrar, com ajuda de Goodman, um grande distribuidor da droga, garantindo uma boa grana nas mãos de "Heisenberg" (pseudônimo de Walter) e Jesse. Este começa então a se envolver mais profundamente no uso de drogas, acarretando consequências desastrosas.
O final da temporada deixa uma grande dúvida no ar, um grande mistério que, obviamente, não vou contar aqui.
Mais intensa do que a primeira, esta segunda temporada ajudou a solidificar o nome da série ,arrecadando mais fãs e, também, um maior número de premiações, como 02 EMMYs dentre as 05 indicações.